terça-feira, 25 de março de 2014

6-12: havia de haver negra


82 minutos que haviam de ser esticados. À melhor de 5, João: fica para a próxima.

Versus Real: os jogos do ano na BBVA '14



E à 29ª jornada há Reais cambalhotas, quão fora quão em casa. Ligado nas duas vazas, não basta ser Ronaldo para se ir rolando - e no entanto ela gira, ó se gira, karmas que não são karmas, mais carmos, fados. É a ficção realista, mesmo, quem estremece. A Real Espanha.



Não uma, mas duas vezes e de novo. De forma pungente, lendária. Na luta pelo título, o underdog da capital, o Sporting de Espanha, não de nome mas em analogia apressada eventual com a lógica de grandeza trinitária do campeonato de Portugal, saiu assim em primeiro da labuta Real Madrid-Barcelona, o desafio-mor do qual os catalães saíram vencedores. Por outra, em Almería,



algo de resistente, do mais a mar acima da linha de água de volta, travou a marcha da Real Sociedad na tabela classificativa, onde está agora atrás dess'outro conjunto andaluz - o Sevilla FC - na perseguição aos rivais bascos do Athletic, que ocupando a 4ª posição estão no último spot que pode ligar à macro dos campeões, Athletic por sua vez historicamente emulado em Madrid no Club Atlético que ora lidera La Liga.

Não se trata sempre de uma luta pela manutenção, Reinaldo? Não, Roldão?

Pois não: rolamentos, então!



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A perfect day to lock yourself inside







E à segunda - à Terça - o derby ocorreu, favorável aos da casa, ante um Sporting já sem surpresas, anuladas pela manutenção de uma equipa revolucionada, anulado o efeito que no Domingo, não estivesse o Estádio da Luz a desagregar-se (ah, lãzudo!), ditaria, decerto, um arrojo diverso no lançamento ao jogo com tudo. Tal momentum, porém, foi inteiramente perdido no adiamento da partida - e só a teimosia criativa, por assim dizer, do técnico do Sporting, ditou a insistência numa fórmula cuja grande (única?) virtude era a da surpresa, esvaziando-a assim de qualquer possibilidade tangível de sucesso. Mais do que a questionável inclusão do recém-chegado Héldon na equipa principal (Héldon que até foi dos menos maus em campo), o reiterar da aposta numa frente de ataque com 2 pontas-de-lança, mais desguarnecendo o meio-campo encostando André Martins à direita, revelou-se uma aposta sofrível, que nunca esteve perto de dar certo. Como se não bastasse não ter dois habituais titulares ao dispor, na lateral esquerda (Jefferson) e na vital posição de trinco (William Carvalho), Jardim optou por insistir numa aposta que só poderia colher pela surpresa. Desfalcado desta, porque revelada a priori, por entre bocados do Estádio, Jardim achou que não havia nada que reajustar a estratégia - e que mal o achou, que não acertou inclusive com meia das substituições que operou (a segunda, então... Magrão?).

Não é raro que a tentação de transfigurar a equipa antes de um jogo importante ocorra a um treinador. Parece que já vê as manchetes do dia seguinte, justamente apontando-o como um mestre, um visionário, um mago que tira coelhos da cartola como quem sabe lá bem. Por norma, porém, é o contrário. Jesus que o diga, que já por várias vezes resolveu inventar, por norma em desafios internacionais ou contra o FC Porto, quase sempre dando-se mal.

Se ainda há um problema de identidade no Sporting, tal é precisamente o de a reformular ao primeiro desafio grande. Não incidentalmente, veja-se a menor preponderância da cantera nesta partida. Wilson Eduardo, por exemplo, que vem sendo mais o consistente extremo ao longo desta época, não jogou nem um minuto. Possa Jardim aprender com o erro flagrante - e lá terá que ser o Olhanense a pagar a factura. Hoje, de qualquer modo, com as barbas de molho e um nevoeiro sebastiânico, just a perfect day to recollect.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Tradução, anglofonia e políticas de "verdade": um tuga na Arábia

Vítor Pereira (VP) deitou os lábios no trombone e agora percorre as redes sociais e os media com a sua "explosão" cómico-trágica de tuguice em força: My words come from my heart!

Num assomo reivindicativo, Vítor Pereira vincula à sua pessoa, ao mesmo tempo, a propriedade sobre a análise e a autoridade no testemunho de jogo, na boa tradição tuga. Ignora de imediato - e com alguma arrogância, há que dizer - as instruções do moderador, que pede uma descrição "técnica"; não percebo tampouco como uma avaliação da tecnicidade em campo pode ou deve ignorar a prestação a título individual deste ou daquele jogador, pelo que há um julgamento apressado do moderador quando tenta "calar" VP quando este prontamente começa a chamar os bois pelos nomes.

O jogo em questão foi a 13 de Dezembro, contra o Al-Ittifaq (Ettifaq? as grafias alternam). Não encontrei registo vídeo do jogo mas o importante foi a expulsão de Mansour aos 23' aparentemente, no testemunho de VP, provocado por uma reação infantil à provocação de outro jogador, que resultou num 10 contra 11 e a evidente derrota. 
 
VP não é o único português na equipa (o atacante Luís Leal faz parte do plantel) nem é o clube adverso a treinadores importados: apenas 5 treinadores foram nativos da Arábia Saudita num clube que conta, inclusivamente, com a mãe de todos os personagens Luiz Felipe "E o burro sou eu?" Scolari na sua história. É por isso apressado falar aqui de conflito de culturas ou mesmo de uma afirmação patriótica de contornos nacionalistas: a história do clube é de resto a história dos clubes no mundo, pontos confluentes de uma economia de jogadores pautada pela transnacionalidade do networking futebolístico.

Nesta mediação, sobra o english macarrónico como plataforma linguística, certamente, à medida das possibilidades dos agentes em cena e de acordo com as regras do jargão, importado as is ("What I saw... in first place, I saw a bad professional player."). A tradução escala progressivamente entre o arábico, o inglês mais apurado do moderador, o inglês menos apurado do VP e o português na sua cabeça, manifesto nas patadas gramaticais que reforçam o caricato da instalação.


I speak what I saw, no what you want that I want to see. A presença do tradutor conclui o trágico encenado entre o real testemunho do treinador, a tradução proto-english e o filtro falhado do moderador. A frustração do homem que reverte para arábico o intraduzível espetáculo que certos jornalistas, ao que parece, dificilmente entenderam; o sussurrar impotente a um treinador tuga determinado em se afirmar. No futebol, como na antropologia, quem delega a informação segura a mediação do absurdo. Como na antropologia, fico curioso quanto à tradução árabe que foi devolvida aos jornalistas (como na antropologia, omitida na western media) e quanto ao sussurro no ouvido de VP. A tarefa do tradutor é ingrata, porque essa é a natureza da comunicação, seja aqui ou seja na Arábia.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Mas qual óbito? O óbito?

Se é para escrever, que se escreva, ou vamo-nos todos e que fique o texto. 



No entanto, a verificar-se, que o óbito seja devidamente marcado pela real partida do Pantera Negra. Vivemos tempos turbulentos, caem os ícones do velho milénio, e porque futebol é política e a política é um jogo, remeto a reflexão para um texto de Nuno Domingos - desenterrado, em boa menção, pela dreamachine facebookiana - sobre o homem, o jogo, o Estado Novo e a identidade racial-nacional:

Apesar do reconhecimento do seu mérito, a apreciação entusiástica que mereceu não resultava de uma inusitada consciência de igualdade racial, tão-pouco poderia servir de prova de que a sociedade portuguesa estava preparada, devido a uma característica cultural adquirida, a aceitar a diferença. A relevância de Eusébio dependia do seu valor enquanto elemento de uma economia particular, no contexto de uma troca muito específica, proporcionada pelo processo de profissionalização do futebol. O jogador moçambicano oferecia quase todas as semanas capitais preciosos à representação nacional mas sobretudo clubista, a uma específica cidadania exercida diariamente por muitos indivíduos, quase todos homens, durante incontáveis encontros, conversas e imensas retóricas, nos quais se manifestava uma identificação, uma forma de apresentação na vida de todos os dias. Os que no campo representavam com o seu génio desportivo esta pertença (ser do Benfica, do Sporting, do Porto, ou da selecção) mereciam quase todas as recompensas, independentemente da sua origem ou da cor da sua pele. O valor de Eusébio nesta economia particular dependia da manutenção de um nível performativo constante, de um ritmo laboral intenso, com consequências físicas conhecidas, como asseveram as inúmeras cirurgias ao seu martirizado joelho.

And so on, and so forth, seguir o linking devido.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Pré-aviso de óbito | regresso aos mercados

Lavra o silêncio à falta de expressão dos cronistas cá do burgo, os mais dos quais apenas listados, que nunca, afinal, calçaram neste rectângulo de jogo numa peladinha que fosse. Lavra o silêncio não porque, consensual constatação, não haja do que falar - e, aliás, se fale ali-além, do pédebola nativo & não só -, mas porque nosso plantel não dá garantias. Sem banco que se apresente e com um elenco titular que nem um team de futsal chegou - alguma vez! - a poder assegurar (numericamente mas, não acidentalmente, fisicamente), estamos prostrados ante a incipiência do efeito conjunto deste antibolismo que, se se quis perfilar como uma alternativa à verborreia permanente dos media comentadores, fomentando um alinhavar bem escrito sobre performances e cenas que é raro achar escrutinadas a não ser à flor da cefaleia, não conseguiu senão veicular uns quantos fogachos. Ora, só em lume brando poderia isto cozer como deve ser e dar de comer algo consistente a quem de direito, antes de mais a nós próprios, engatados em amenas cavaqueiras ou flashadas excursões analíticas, transcrevendo conversas de café ou apostando em ostentar tais flashs. 

Do malogrado ANTibola, precursor deste antibolismo, manteve-se só o intento congregador - e tudo indica que o desfecho não será muito diferente, mesmo que isto possa ficar em linha para memória futura: óbice ao reconhecimento do óbito de que nestas linhas se dá aviso prévio só visto. Desde que O Encoberto lançou - e muito bem - a época, nada se avançou sobre o que quer que fosse neste entreposto. Desconfiando que, na gaveta de cada antibolista atleta|trein'a'dor de bancada não se alojam crónicas e crónicas que permitam ocupar, com propriedade e usufruto, o espaçotempo decorrido desde o citado lançamento da temporada e concomitante apelo, reabramos o contencioso por ocasião da reabertura do mercado ou calemo-nos para sempre.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ai Jesus, vais de Mota, Mori?



A Liga Portuguesa (independentemente do nome do patrocionador) 2013/ 2014 começou finalmente, com emoção, intensidade, meias-surpresas, muitos golos e sem empates! Como não podia deixar de ser, o circo dos "casos", ou pseudo-casos, tinham de aparecer, nomeadamente pela agência do Zé da Mota setubalense, treinador da Escola-Pacheco que também tende a ficar com crises hemorroidais após enfrentar o FC Porto. O Mota sabe bem o que faz: já é esperado que, em Portugal, qualquer berreiro, mesmo que injustificado (penalti e expulsão não oferecem a mínima dúvida), contra o FCP, cai sempre bem na comunicação social, e o Mota reforçou o seu prestígio junto das hostes encarnadas... será que o Zé (ex-boné pacense) de Setúbal anda a fazer-se ao piso instável onde se move o Jesus? Pois é, a vida do Messias da Luz já esteve mais abençoada... até a confiança inabalável do seu presidente se esconde, desconfiada, atrás de um silêncio difícil de explicar.Vieira isolou Jesus, ao não resolver atempada e assertivamente o caso Cardozo. Na verdade, enquanto a novela paraguaia continua sem desenlace à vista, eis que chega (finalmente) à Luz um novo afunilado amor para o ataque. O avançado Funes Mori virá para substituir Cardozo ou para ser emprestado a algum clube saudita? Enquanto permanece a dúvida, sobram duas certeza: os adeptos do River estão mais descansados e o jogador está feliz por ter escolhido o Benfica em vez do Porto (que nunca apresentou qualquer proposta por ele), já que afirmou, numa declaração pelo menos tão honesta quanto o pedido de perdão do Tacuara, que o benfas é que era o maior! Eu concordo, a julgar pelas duas últimas épocas do avançado, parece-me que o Benfica é o clube certo para ele.

Circos à parte, que servem para entreter os assinantes do novo canal "Premium" da TV por cabo e os tradicionais jornais da propaganda segundacircularense, e já que falamos de Cardozo, uma palavra para o novo avançado do Setúbal, que também assina com esse nome. Possante, bom de bola, raçudo, o rapaz promete golos e dores de cabeça para as defensivas contrárias, tendo sido uma permanente ameaça para Otamendi e Mangala, mesmo com o Vitória reduzido a 10. No outro Vitória, o de Guimarães, boa estreia também para um poderoso Maazou, com dois golos e outras boas indicações a nível técnico, mas sobretudo a nível físico. Um destaque ainda para as estreias, todas elas a marcar, de um trio colombiano, cada um pelo seu clube. Montero-Quintero-Pardo mostram ser claras mais-valias para a Liga portuguesa e não quiseram perder tempo a deixar a sua marca, em particular o avançado do Sporting, que assinou hat-trick, e o puto do Porto, um 10 com pézinhos mágicos, que marcou o golo da jornada logo na primeira vez que tocou na bola!

A nível coletivo, é difícil fazer destaques, já que 8 equipas venceram os respectivos jogos e, naturalmente, todas as restantes perderam. Ainda assim, é justo destacar a promissora goleada do renovado SCP, que assume novamente a liderança da Liga ao fim de 180 (!!!) jornadas. É, porém, importante, que os seus adeptos e jogadores não se deixem deslumbrar pelo bom arranque e não caiam em euforias desmesuradas. As próximas duas jornadas, primeiro fora, contra a Briosa, e depois recebendo o Benfica no Derby, serão importantíssimas para a época leonina e uma confirmação do potencial que tem esta equipa do Sporting. Realço ainda a vitória surpreendentemente fácil do Rio Ave em casa do recém-promovido Belenenses, no seguimento da boa época anterior, como também a demonstração de força e maturidade do Braga contra o Paços (pese o jogo ter sido disputado em casa emprestada pela vizinha Felgueiras). A derrota do Benfica na Madeira não surpreende muito, pela qualidade do Marítimo e pela instabilidade notória que reina nos da Luz. Na verdade, na maior parte do jogo, os jogadores do Benfica pareciam mesmo estar a boicotar o jogo, denotando talvez alguma vontade de afastar o treinador... Quanto ao Porto, arranca com uma vitória sofrida em Setúbal, que apresentou muita agressividade e determinação no jogo. Compreendo que a Escola Mota/ Pacheco tem os seus méritos e até consegue apresentar resultados... mas, felizmente, o estilo de jogo dos treinadores portugueses está a mudar, assim como a atitude face aos adversários. Não aprecio muito ver guerrilha futebolística e muito menos incapacidade de reconhecer a superioridade dos adversários. Como tenho muito respeito pelo VFC, desejo-lhes uma boa época, mas preferia que tivessem outro treinador ao comando, pois creio que têm uma equipa com potencial para melhores espetáculos. Para o Porto, fica a lição de humildade, já que a equipa teve de trabalhar mais do que esperava para conseguir os 3 pontos. É positivo! Há uma ideia generalizada (e penso que justificada) de que o FCP é o principal favorito ao título, e estas dificuldades são importantes para que os seus jogadores se lembrem que têm de disputar todos os jogos como uma final, se querem chegar ao Tetra!


Termino com mais um apelo aos camaradas antibolistas para começarem a partilhar as vossas opiniões. Lanço um desafio: seria bom termos aqui, pelo menos, uma análise de cada jornada da Liga, sem obrigações de rotatividade, mas com diversidade de opiniões. Se cada membro comentar duas ou três jornadas, tal é possível, sem que sejam sempre os mesmos a "botar faladura". Cheguem-se à frente, catano!